
Ele encostou-me a mão, eu disse não, e ele sorriu. Ele vencera. Eu fazia o joguinho que nunca fazia, eu brincava o joguinho que nunca brincava, e dizia não, porque era o único não que eu poderia cometer.
Ele asseverou os dedos e eu contornei outro não, e ele refestelou-se sussurrando que sim, e como não tinha mais jeito, eu me abismava no indemovível, solfejei alguns não, sofismei e arrefeci, pois já que o brinquedo não me era, mas eu lá estava, aderi ao duplo vínculo das moças e continuei negando, indúbita, a cada toque dele que me desmascarava em si.
Ele olhou-me nos olhos por fim. Familiarizou-se à glabela, e depois tornou-se ávido e se alternou. Moveu-se entre os olhos, a cada um de per si, e quando eles eram seus, todos, ambos, ele tocou-me as costas do pescoço, na linha cervical, e pelo intenso do toque, pelo surdo da pressão, eu soube que ele era um homem e só me restava esperar que ele optasse. Porque quando a mão de um homem alcança a curva do seu pescoço, ou vai levá-la ao quadril dele ou mantê-la com o rosto rente ao chão, abaixo do seu próprio quadril.
Chupar um pau ou dar de quatro. Arquetipicamente mulher.
E eu disse não, mesmo quando gozei e tratei-o por meu amor.
“Não meu amor, não. Não poderei ceder a ti”.
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